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Notificações de agressão de filhos contra pais voltam a crescer e batem recorde no Paraná

Por kazafm  ·  📅 2024-01-08 08:15:21  ·  👁 75 visitas
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Notificações de agressão de filhos contra pais voltam a crescer e batem recorde no Paraná

O ano de 2024 começou com um caso de “violência em família” no litoral do Paraná. Foi em Matinhos, às 1h50 da manhã do primeiro dia do ano, que a Polícia Militar (PMPR) atendeu uma ocorrência envolvendo um homem que agrediu e ameaçou os próprios pais e outras pessoas que estavam no local. Durante a confusão, agindo em legítima defesa, a mãe acabou dando uma facada na perna do filho após ele avançar contra o próprio pai.

Já no último sábado (6 de janeiro), em Apucarana, no norte do Paraná, mais uma situação parecida de violência. Neste caso, um homem embriagado teria chegado em casa agindo de forma agressiva, xingando a própria mãe e ameaçando agredir o próprio pai. Policiais militares estiveram no local e conversaram com a vítima, que relatou serem frequentes os comportamentos agressivos do filho. Ainda assim, ela não quis representar contra ele e afirmou que tudo não passaria de um mal-entendido.

Os dois recentes casos retratam uma situação que está se tornado cada vez mais mais corriqueira no Paraná. São os casos de agressão de filhos contra os pais, uma violência muitas vezes silenciosa, dada a dificuldade dos envolvidos em reportar a situação às autoridades ou procurar ajuda.

No Brasil, contudo, é possível estimar as ocorrências desse tipo de violência através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. O levantamento feito com exclusividade pelo Bem Paraná, então, considera os registros catalogados por profissionais em postos de saúde da rede pública. Essa notificação, inclusive, é compulsória. Ou seja: diante de uma suspeita de caso de violência doméstica, sexual e/ou outras violências envolvendo crianças, adolescentes, mulheres e idosos, o agente de saúde é obrigado a registrar oficialmente.

Ainda assim, especialistas (como o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, criador do Mapa da Violência) estimam que a estatística oficial represente apenas 80% dos casos de violência física que levam os pais a procurar os serviços de saúde. Isso porque uma parcela dos casos acabam sendo atendidos na rede de saúde particular (onde o registro não é obrigatório) ou simplesmente não chegam ao conhecimento dos agentes de saúde.

Conforme o Sinan, ao longo de 10 anos, entre 2013 e 2022 (ano mais recente com dados disponíveis), o Brasil registrou 97.266 notificações de violência de filhos contra pais, com 13.931 registros apenas no último ano. Um número expressivo e que tem crescido, com alta de 142% na comparação de 2022 com 2013 (quando haviam sido notificados 5.767 casos desse tipo de violência).

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