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Cuidado com o 171! A cada três minutos, um golpe é registrado no Paraná

Por kazafm  ·  📅 2026-08-12 06:00:40  ·  👁 6 visitas
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Cuidado com o 171! A cada três minutos, um golpe é registrado no Paraná

O Paraná é o quarto estado brasileiro que mais registra casos de estelionato no Brasil. Só em 2025, mais de 170 mil golpes foram registrados no estado, uma alta de quase 6% nas ocorrências em relação ao ano anterior. Para se ter uma dimensão do que esse número representa, ele equivale a 468 casos por dia, ou ainda um golpe a cada três minutos.


De acordo com os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, no ano passado a Secretaria Estadual de Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR) informou ter registrado 170.743 casos de estelionato, mais de 9,5 mil ocorrências a mais do que os 161.236 registros do ano anterior. Só os casos de estelionato por meio eletrônico tiveram alta de 29,7%, passando de 8.829 para 11.515. Já os casos de estelionato em geral subiram de 152.407 para 159.228.



Entre todas as unidades da federação, somente São Paulo (833.277), Minas Gerais (232.713) e Santa Catarina (181.110) registraram mais casos de estelionato que o Paraná. Nacionalmente, as ocorrências de golpes tiveram alta de 5,2%, passando de 2.479.348 registros em 2024 para 2.607.808 em 2025. Isso é o mesmo de 7.144 golpes por dia, ou ainda um golpe a cada 12 segundos.


Principal ferramenta do golpista não é o computador

Em entrevista recente ao programa MP no Rádio, o promotor de Justiça Marcelo Adolfo Rodrigues, do Ministério Público do Paraná (MPPR), explicou que os golpes atuais são estruturados para parecerem verdadeiros. Por isso, é comum o criminoso/golpista misturar informações corretas, como o nome da pessoa, seu CPF, fotografia, número de um processo ou o nome de um familiar, com uma história falsa.


Normalmente é uma técnica de engenharia social. O golpista explora a confiança da pessoa, medo, esperança, a urgência, a solidariedade, a expectativa de receber um valor. O outro elemento recorrente é a urgência. É o elemento mais recorrente em todos os golpes. A vítima é sempre pressionada a agir imediatamente”, explica ele, citando que qualquer pessoa está sujeira a ser enganada quando a abordagem é personalizada e ocorre num momento de distração, preocupação ou fragilidade.


“A principal ferramenta do golpista não é o computador: é a manipulação da confiança e das emoções da vítima”, ressalta ele.


Golpes mais comuns e o que fazer se você virar uma vítima

Ainda segundo o promotor do MPPR, dois dos golpes mais comuns dos últimos tempos envolvem o chamado “PIX inesperado” e o “golpe do falso advogado”.


No primeiro caso, um criminoso faz um PIX para a conta da vítima e em seguida entra em contato, afirmando que transferiu o dinheiro por engano e pedindo para que o valor seja enviado para uma outra chave PIX, pertencente a uma pessoa diferente daquela que enviou o valor originalmente. Ao fazer essa segunda transferência, quem recebeu o primeiro PIX pode também ter prejuízo, porque o suspeito pode fazer um pedido de estorno ao banco. Além disso, pode ter alguma dor de cabeça na esfera por desviar um valor ilícito.


“Se você receber um PIX inesperado, não faça um novo PIX para outra chave. Procure o banco e use a função de devolução vinculada à transação original”, orienta Rodrigues.



Já no golpe do falso advogado, o criminoso se apresenta como o advogado da vítima, integrante do escritório de advocacia ou até como servidor do Poder Judiciário. Na sequência, afirma que houve uma decisão favorável àquela pessoa em algum processo e que ela vai receber algum valor. Só que para o montante ser liberado, é necessário pagar alguma taxa, imposto, custa, certidão ou honorário. Por isso, uma orientação básica é sempre se conferir o CPF ou CNPJ do destinatário do valor de qualquer transferência.


E se você cair em qualquer golpe, deve fazer um boletim de ocorrência e guardas provas. Entre elas estão capturas de tela, números de telefones utilizados para contato, gravações de áudio, links, nomes e chaves-PIX, além dos próprios comprovantes de transferências. Já se o golpe envolver o fornecimento de senha, código ou dados de cartão, é necessário bloquear esses cartões, trocar senhas e informar a instituição financeira imediatamente.


Contas “laranjas” agora podem ser punidas

Uma lei nova, a Lei nº 15.397/2026, que entrou em vigor em maio deste ano, passou a prever a punição de contas “laranjas” ou “emprestadas” para a realização de golpes. Basicamente, essas contas funcionam como uma porta de entrada e de passagem do dinheiro obtido com um estelionato. E quem entrega sua conta para prestar esse tipo de “serviço sujo”, seja com promessa de pagamento ou gratuitamente, pode agora ser punido, assim como o próprio estelionatário.


“Sem essas contas intermediárias, muitos golpistas teriam dificuldade para receber esse dinheiro e ocultar esses valores. Mas a lei nova agora alcança quem cede, gratuita ou mediante pagamento, conta bancária para que nela transitem recursos destinados ao financiamento de atividade criminosa ou provenientes de crime”, explica o promotor de Justiça, citando ainda que a pena é a mesma aplicada ao estelionato: um a cinco anos de prisão e multa.


Golpes no Paraná

2025

Estelionato: 159.228

Estelionato por meio eletrônico: 11.515

Total de casos de estelionato: 170.743


2024

Estelionato: 152.407

Estelionato por meio eletrônico: 8.829

Total de casos de estelionato: 161.236


Variação (2025 x 2024)

Estelionato: +3,9%

Estelionato por meio eletrônico: +29,7%

Total de casos de estelionato: +5,9%

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