O número de MEIs (microempreendedores individuais) no Paraná disparou nos últimos anos, e hoje o estado é a quarta unidade da federação com mais pequenos empresários formalizados no país. É o que revela um levantamento feito recentemente pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) com base no Relatório Estatístico da Receita Federal.
De acordo com o estudo, em junho de 2026 o Paraná somava 1,128 milhão de MEIs. Para se ter noção do que esse número representa, ele é equivalente a 18% da população ocupada no estado e a 77,3% dos trabalhadores por conta própria. No Brasil, no mesmo mês, existiam 17,163 milhões de Microempreendedores Individuais, o equivalente a 16,8% dos Ocupados e 66,1% dos Conta Própria no país.
Inclusive, o Paraná é hoje a quarta unidade da federação com mais MEIs no Brasil, respondendo por 6,6% dos pequenos empresários e empresárias em todo o país. Fica atrás apenas de São Paulo (com 4,79 milhões ou 27,9%), Minas Gerais (1,86 milhão ou 10,8%) e Rio de Janeiro (1,78 milhão ou 10,6%). E aparece logo a frente de Rio Grande do Sul (1,05 milhão ou 6,1%), Santa Catarina (874 mil ou 5,1%) e Bahia (858 mil ou 5%).
Além disso, o crescimento no número de MEIs no estado vem ocorrendo de forma mais acelerada do que na média do país. Isso porque, no Brasil, entre dezembro de 2019 e junho de 2026, o número de MEIs cresceu 82%, passando de 9,4 milhões para 17,16 milhões. No Paraná, essa alta foi ainda mais expressiva, de 93,4%, com o número passando de 583,4 mil para quase 1,13 milhão.
Pedreiros e cabelereiros lideram as atividades de MEIs no Paraná
Analisando-se os dados dos MEIs por por subclasse de atividade da CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas), descobre-se que pedreiros, cabelereiros e pessoas que trabalham com promoção de vendas (com ações no ponto de venda ou com panfletagem e distribuição) lideram o ranking no Paraná. Inclusive, os dados do dia 12 de julho apontavam que 25 atividades concentravam mais da metade (60,6% dos MEIs).
A maior participação estava na atividade Obras de alvenaria, categoria que inclui pedreiros e pequenos empreiteiros, com 71.171 (6,3%). Em seguida aparecem cabelereiros, manicures e pedicures, com 65.036 (5,8%); promoção de vendas, com 61.383 (5,4%); comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios, com 52.654 (4,7%); e preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo não especificados anteriormente, categoria que abrange serviços de digitação, transcrição, redação de cartas, preenchimento de formulários e apoio geral de secretaria, com 38.677 (3,4%).
Outros destaques, para fechar um top 10, são os serviços domésticos, com 35.159 (3,1%); o transporte rodoviário de cargas dentro dos limites do município (o que exclui a movimentação de produtos perigosos e mudanças), com 29.469 (2,6%); o serviço de transporte de passageiros e locação de automóveis com motorista, com 25.281 (2,2); atividades de estética e outros serviços de cuidados com a beleza, com 24.847 (2,2%); e lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares, com 23.734 (2,1%).
Entre a formalização e a “pejotização” das relações de trabalho
O MEI (Microempreendedor Individual) foi criado em 2008 pela Lei Complementar nº 128/2008, com objetivo de formalizar trabalhadores brasileiros que, até então, desempenhavam diversas atividades sem nenhum amparo legal ou segurança jurídica. Podem optar pelo MEI os profissionais autônomos e micro empresários comfaturamento anual de até R$ 81 mil, tendo como principais vantagens a formalização, podendo contratar um empregado e conseguir crédito, além de ter direito aos benefícios previdenciários.